Claudia Andujar

Neuchâtel, Suíça. 1931

“Minha família são os Yanomami.” Desde os anos 70, Claudia Andujar ajusta suas lentes para captar o espírito desse povo enquanto luta pela preservação de sua cultura. Fotos suas estão no Museu de Arte Moderna de Nova York, na Fundação Cartier de Arte Contemporânea em Paris, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

“Meu envolvimento com os povos minoritários tem suas raízes dentro de minha própria história”, explica. “Provavelmente, tem muito a ver com o fato de eu ter perdido toda a família do lado do meu pai na Segunda Guerra, durante a perseguição dos judeus na Hungria.”

Claudia Andujar no dia a dia dos Yanomami em Roraima, 1976

Imagem por Carlo Zacquini. Acervo Claudia Andujar

Em 1978, ela foi cofundadora da Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY). Os índios saíram vitoriosos: suas terras foram demarcadas em 1993. “Valeu a vida por causa desse trabalho.”

 

Claudia era uma pintora talentosa que chamou a atenção de Pietro Maria Bardi quando chegou ao Brasil, em 1955. Deixou os pincéis porque a fotografia era uma forma de conversar com as pessoas, com os índios, de tentar entender sua cultura. Em 1971, abandonou o fotojornalismo e começou um trabalho autoral com os Yanomami.

 

O rigor no enquadramento segue o que busca no outro: “A beleza da esperança que tenho pela humanidade”.

 

Luz e sombra, matéria-prima das fotos, também se alternam em sua história. Filha de mãe suíça e pai húngaro, logo depois de nascer foi para a Transilvânia, onde passou seus primeiros 13 anos. Perdeu o pai e outros familiares em campos de concentração. Em 1944, voltou para Neuchâtel. A situação instável levou-a para Nova York, dois anos depois.

 

A luz equatorial entrou em cena com o Brasil.

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