Giovanni Enriquo Bucher

Suíça. 1917–1992

“Eu não sou americano, sou suíço. Não tenho nada com isso. Rapazes, vocês certamente cometeram um engano”

 

De acordo com Alfredo Sirkis, autor do livro Os Carbonários e um dos sequestradores do embaixador, essa foi a reclamação que ouviu de Giovanni Bucher a caminho do cativeiro.

 

Sequestrado no Rio de Janeiro no dia 7 de dezembro de 1970 e solto 40 dias depois em troca da liberação de 70 presos políticos, Giovanni Bucher foi embaixador suíço no Brasil de 1966 a 1970. Famoso, esse sequestro foi retratado na minissérie de Gilberto Braga, “Anos Rebeldes”, na TV Globo.

 

O carro de Bucher foi fechado na Zona Sul do Rio de Janeiro pelos seqüestradores da organização clandestina VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). O cerco policial começou cinco minutos depois, mas os detalhes só foram conhecidos dez anos mais tarde, no livro de Sirkis.

 

O embaixador foi liberado no dia 16 de janeiro, depois de 40 dias de muitas partidas de baralho — segundo Sirkis ele formava uma dupla imbatível com o guerrilheiro Carlos Lamarca –, dos cigarros que fumava sem parar e de conversas com seus raptores.

 

Adeus ao “tio”

Tinha 19 anos e era guerrilheiro. Único do grupo a falar fluentemente inglês e francês, fui escalado para a equipe de guarda do “aparelho” onde o embaixador Giovanni Enriquo Bucher permaneceu 40 dias de um sufocante verão carioca. O “tio” era bonachão, prosador, dotado de um fino, e por vezes, ferino senso de humor. Foi de alguma maneira cativando a todos, mesmo os mais durões e stalinistas.

(trecho do texto de Sirkis sobre o seqüestro)

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