René Schärer

Berna, Suíça. 1941

Prainha do Canto Verde, no litoral do Ceará, parecia deserdada pela sorte. Grileiros disputavam as terras com os pescadores, que no mar estavam ameaçados pela pesca ilegal. O lixo escondido sob as dunas estava na iminência de voltar à tona, faltava perspectiva de vida para as crianças.

 

Enquanto isso, em Atlanta (EUA), um alto executivo da Swissair chegava à conclusão de que não deixaria a vida escorregar para uma aposentadoria modorrenta.

 

René Schärer dava assim início à transformação da vilinha do município de Beberibe em um polo de inovações. O conhecimento de 31 anos de carreira de um diretor de multinacional passou a ser aplicado na construção de novas estratégias de sustentabilidade.

Crianças do Coral Canto verde, formado na escola da Prainha do Canto verde, litoral do Ceará, por Mila Pretrillo

Acervo René Schärer

Quando menino, Schärer experimentou a pobreza em Berna, na Suíça, durante a Segunda Guerra. Mudou-se para Zurique em 1961, onde foi contratado pela Swissair e fez carreira em vários países, entre eles o Brasil, de 1981 a 1984, como diretor da empresa. Oito anos mais tarde, resolveu mudar não só a sua vida, mas a de uma vila inteira.

 

Mudou-se para a Prainha do Canto Verde, em 1992. Criou o Instituto Terramar, uma organização não governamental, e pediu ajuda de amigos do mundo todo, reunidos em uma sociedade filantrópica baseada na Suíça.

 

Junho de 2009 trouxe para Schärer uma conquista memorável. No Dia do Meio Ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto da criação de uma reserva extrativista na Prainha do Canto Verde, um ponto final na luta da comunidade contra os especuladores de terras.

 

Sua “segunda vida”, como ele chama a experiência como empreendedor social, vai bem. É longa e próspera.

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