Thomas Davatz

Fanas, Suíça. 1815–1888

Um mestre-escola franzino, de Graubünden, liderou em 1856 a Revolta de Ibicaba — nome de uma fazenda de café em Limeira, no interior de São Paulo. O protesto, contra o dono das terras, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, o senador Vergueiro, reivindicava melhores condições para os colonos suíços. Apenas dois tiros foram disparados e não houve feridos. A repercussão do levante foi tamanha, no entanto, que a imigração de suíços para o Brasil foi extinta logo depois.

 

Thomas Davatz passava longe dos sonhos de liderança quando se deixou seduzir pelas promessas de Emil de Paravicini, parceiro de Vergueiro na contratação de mão de obra para o Brasil. Com escritório em Zurique, Paravicini pintava o país como um paraíso onde qualquer um poderia recomeçar a vida.

 

O relatório de Davatz sobre Ibicaba trouxe um inspetor ao Brasil em fevereiro de 1857. Depois de um acordo entre as partes, e com a saúde debilitada, o suíço voltou ao seu país natal.

 

Davatz tentou publicar seu relato sob o título “O tratamento dos colonos na Província de São Paulo no Brasil e seu levante contra os seus opressores. Um pedido de socorro às autoridades e simpatizantes dos Estados aos quais pertencem os colonos”.

Terreiro de café da Fazenda Ibicaba, final séc. 19

Acervo Carlota Schmidt Memorial Center

No Brasil, o livro foi publicado em 1951 como “Memórias de um colono no Brasil”, com tradução de Sérgio Buarque de Holanda.

 

Em 1933, Mário de Andrade selecionou o relato como uma das 20 obras fundamentais sobre o Brasil, “por ser o primeiro livro especificamente de luta de classes e reivindicações proletárias no Brasil”.

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